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Camilo Pessanha - Estátua

Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, --- frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha - Vida

Choveu! E logo da terra humosa 
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa! 
Que vigor no campo das liliáceas! 

Calquem. Recal-quem, não o afogam. 
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam. 
Não as extinguem. Porque as degradam? 
Para que as calcam? Não as afogam. 

Olhem o fogo que anda na serra. 
É a queimada... Que lumaréu! 
Podem calcá-lo, deitar-lhe terra, 
Que não apagam o lumaréu. Deixem! 

Não calquem! Deixem arder. 
Se aqui o pisam, reben-ta além.
 - E se arde tudo? - Isso que tem? 
Deitam-lhe fogo, é para arder..