Mostrando postagens com marcador Arthur Azevedo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arthur Azevedo. Mostrar todas as postagens

Arthur Azevedo - Eterna Dor


Já te esqueceram todos neste mundo. . . 
Só eu, meu doce amor, só eu me lembro, 
Daquela escura noite de setembro 
Em que da cova te deixei no fundo. 

Desde esse dia um látego iracundo 
Açoitando-me está, membro por membro. 
Por isso que de ti não me deslembro, 
Nem com outra te meço ou te confundo. 

Quando, entre os brancos mausoléus, perdido, 
Vou chorar minha acerba desventura, 
Eu tenho a sensação de haver morrido! 

E até, meu doce amor, se me afigura, 
Ao beijar o teu túmulo esquecido, 
Que beijo a minha própria sepultura!

Arthur Azevedo - Por Decoro

Quando me esperas, palpitando amores,
E os grossos lábios úmidos me estendes,
E do teu corpo cálido desprendes
Desconhecido olor de estranhas flores;

Quando, toda suspiros e fervores,
Nesta prisão de músculos te prendes,
E aos meus beijos de sátiro te rendes,
Furtando as rosas as púrpureas cores;

Os olhos teus, inexpressivamente,
Entrefechados, lânguidos, tranquilos,
Olham, meu doce amor, de tal maneira,

Que, se olhassem assim, publicamente,
Deveria, perdoa-me, cobri-los
Uma discreta folha de parreira.